quarta-feira, 3 de Setembro de 2014

terça-feira, 2 de Setembro de 2014

Inocência perversa.

 
 
 
 
                Havendo uma questão com capas de livros, interessa sempre. Está montado um vendaval danado por causa da capa que a Penguin – com algum pedantismo, reconheça-se – escolheu para o clássico infantil de Roald Dahl, Charlie and the Chocolate Factory. Diz-se que a capa é imprópria para crianças. Talvez não seja. Mas é tão elaborada e rebuscada, procura ser tão, mas tão «estilosa» que acaba por se revelar desastrada, até pirosa de pretensiosa. Mas isso são gostos e cada um que avance a sua opinião. Já há muitas no terreno, de que a New Yorker faz a recolha e crítica, aqui.

Adeus ao Maine.

 
 
 




Fotografias de Onésimo Teotónio de Almeida



segunda-feira, 1 de Setembro de 2014

Aquele abraço.

 
 
 
 
 

Me-ni-nos. A rapaziada festivaleira que anda por aí no Sudoeste  e outros pontos cardeais não passa de um conjunto de meninos. Pior ainda, meninos de coro, sobretudo quando comparados com o people, esse sim bem cool, que todos os anos se reúne no Festival Burning Man. O Festival existe desde 1986, e nessa altura não passava de um bando de amigalhaços alternativos que se agrupavam para passar muito juntinhos, todos ao monte, algumas noites líricas. Actualmente, reúne no deserto do Nevada  mais de 70 mil alminhas penadas, cada uma mais freak do que a outra. O Burning Man é um culto, uma religião, uma atitude, uma visão da vida, condensada em Dez Mandamentos que, bem vistos e escrutinados, não dizem nada de nada. Mas que há cada figura estranha e bizarra a caminhar no deserto, disso não duvidem. No Burning Man, entre muitas outras coisas, todas nos limiares da legalidade, fazem estátuas efémeras, imaginativas e prodigiosas, a que depois largam fogo. Algumas obras bem interessantes, como a de uma mulher graciosa e esguia, ou a de um coiote uivante, a bradar aos céus.
 
Vista aérea, 2010
 

 
 
 
 
          O Pier Group, de Vancouver, apresentou um grande projecto, Embrace, visando que fosse escolhido como templo do Burning Man/2014. Tal não veio a acontecer, mas que é uma escultura em grande, ai isso é. O festival, que termina hoje, dia 1 de Setembro, acabou mal, com a morte de uma rapariga jovem, atropelada por um autocarro na confusão grupal. Aqui pode ver-se uma bela galeria de idiotas New Age, ainda assim bem mais imaginativos do que os festivaleiros portugueses, que, repete-se, são uns grande meninos. E, em regra, palermas.  

 
 

 
 
 
 
 
 

Tarrafal.

 
 
 









28 de Julho
O Sr. Adriano (observei-lhe sobre a sua parecença com Amílcar Cabral e respondeu-me não ter sido o primeiro a referir-lhe isso) levou-nos para o lado norte da ilha, com paragens no Jardim Botânico – um oásis no meio da quase desnuda paisagem e cada vez mais montanhosa à medida que se avança para norte – S. Jorge dos Órgãos, Assomada, e sobretudo no Chão Bom, nome irónico para o lugar do [in]famoso campo de concentração, nos arredores da sede do concelho do Tarrafal.
O museu mexe com o estômago. Uma das casernas está transformada em informativa sala repleta de memorabilia, desde fotos e documentos oficiais a cartas e narrativas.
Impressiona a quantidade de gente que aqui foi “hospedada” ao longo dos anos, bem como as divisões estabelecidas nas casernas: havia-as para os portugueses continentais (ou brancos) e para os africanos, divididos por províncias. E lá estava a “Holandinha” – a famosa – uma cela junto à cozinha onde eram arrumados os mais renitentes a fim de sentirem de bem perto o cheiro da comida quente e entranhassem mais fortemente a privação, no caso deles extremada de propósito – água e pão.
Uma casa solta a meio do campo era a morgue. Esmeraldo Pais Prata, conhecido por “o Tralheira”, médico nomeado oficialmente para o Campo de Concentração em finais de 1936 (só se apresentou para consultas em Abril de 1937), terá esclarecido a sua missão nestes termos:  “Não estou aqui para curar mas para passar certidões de óbito.”
Uma aprendizagem sombria e triste. Felizmente seguiu-se-lhe o bom chão do Tarrafal, a praia melhor da ilha a convidar a um belo banho neste Atlântico aberto e emoldurado de África.
 
 
 
Texto e fotografias de Onésimo Teotónio de Almeida
 
 
 
 
 
 


domingo, 31 de Agosto de 2014

A Guerra russo-japonesa (1904-1905) em postais.

 
 
 
 









 
“A verdade era que os Russos tinham a expectativa de derrotar os Japoneses. Nenhuma Grande Potência fora alguma vez derrotada por outra menos, decerto nenhuma com um exército tão imenso como a Rússia, e a maioria dos Russos via os Japoneses como uma “raça inferior”: Nicolau referia-se-lhes por “macaquinhos de cauda curta”. O comandante do exército na Manchúria, o general Alekseev, afirmou que só precisava de dois soldados russos para cada três japoneses. No mundo das Grandes Potências, levar a cabo uma demonstração agressiva parecia uma maneira garantida – e talvez demasiadamente fácil – de recordar a todos, e talvez até restaurar, o seu estatuto, sobretudo quando se sentia insuficientemente respeitado.
Quando os japoneses enviaram torpedeiros para Port Arthur, o quartel-general russo na China, em Fevereiro de 1904, e afundaram os dois navios mais modernos de toda a armada russa, e depois declararam guerra, todo o governo e os militares pareceram completamente apanhados de surpresa e desprevenidos. (...) A partir daí, o esforço de guerra russo declinou continuamente. Veio derrota atrás de derrota.”
 
(in “Os Três Imperadores”, Miranda Carter, Texto Editores)
 
 
Francisco Teixeira da Mota
 
 
 

A Exposição Colonial de 1934.



 
 
 
 
Fachada do Palácio das Colónias
 

Grupo de Colonos da Guiné
 
 

3 Graças Indígenas
 

Aldeia de Bijagós
 
 

Typo de raça Bijagós
 
 

Typo de raça Bijagós
 

Typo de raça Bijagós
 
Estação de caminhos de Ferro (S. Bento)

 

 


Grupo de representantes da colónia de Timor


 

Procedendo à toilete

 

Cubatas – Habitação dos indígenas

 

Ponte D. Maria Pia
 

Praça da Liberdade e Avenida dos Aliados

 

Arco dos Vice-Reis da Índia

 
 
Organizada por Henrique Galvão no Palácio de Cristal no Porto,  esta manifestação cultural do Estado Novo, já (aqui) referida sob a epígrafe “Um crime antes do tempo”, pretendia ser uma montra do Império e uma lição de patriotismo, trazendo naturais das diversas parcelas do Império com a reconstituição dos seus “habitats naturais” nos jardins do Palácio Cristal.

Desta vez uma recordação “made in Germany”.
 
 
 
Francisco Teixeira da Mota



 
 
 






 

sábado, 30 de Agosto de 2014

Photogrammar.

 
 
 

 
 
 
        A propósito de umas belas imagens do Maine, captadas por Onésimo Teotónio de Almeida, um simpático e muito amigo leitor sugeriu um site que desconhecia, Photogrammar, da Universidade Yale. Trata-se de uma compilação das cerca de 170 mil fotografias – repete-se: 170 mil fotografias – que se encontram arquivadas na Biblioteca do Congresso e que foram tiradas, entre 1935 e 1945, ao serviço da Farm Security Administration e do Office of  War Information. Há uns tempos, escrevi um texto acerca do livro de James Agee sobre os algodoeiros do Sul, acompanhado das inesquecíveis e poderosíssimas Walker Evans. Aqui, no Photogrammar tem à disposição uma plataforma digital que permite procurar e visualizar o acervo fabuloso da FSA e do OWI. Através de um mapa interactivo, entre outras funcionalidades incríveis, o Photogrammar permite-nos fazer a América coast to coast. Uma luxúria. Obrigado ao leitor «Camisa» por nos dar a conhecer este delicioso pecado.



Gurs.

 
 
 
Fotografias de João Medina






Perto de Orthez, o capo de concentração de Gurs. Aqui esteve detida, entre tantos outros, Hannah Arendt; de onde saiu rumo a Portugal.
 



 
 

Doñana.




Parque Nacional de Doñana.
Fotografia de António Araújo