quinta-feira, 30 de Outubro de 2014

As mães da Arménia.

 


 

 
 
 
         Steve Jobs falava fluentemente arménio. Pelo menos, é o que alguns dizem, baseando-se no facto do fundador da Apple ter como mãe adoptiva Clara Hagopian, nascida nos Estados Unidos, mas de ascendência arménia. E não, não estamos a citar a Wikipedia, mas o dossier secreto de Steve Jobs no FBI. Todos conhecem a história dos pais biológicos e dos pais adoptivos de Jobs e que opinião tinha este sobre o assunto. Quando lhe diziam que Paul e Clara eram os seus «pais adoptivos», Steve replicava «são os meus pais, são 100% meus pais». Os outros, os biológicos, eram apenas «esperma e um óvulo», nada mais do que isso. Mas daí a saber falar arménio por via materna vai um grande passo. Seja como for, é provável que, no mínimo, conhecesse os caracteres da língua da sua mãe Clara – e é quase impossível não vermos a marca da beleza delicada da caligrafia arménia no desenho de tudo quanto sai do ventre da Apple.
 
A exaltação da maternidade é uma característica secular da cultura arménia. Décadas de guerras e horríveis tormentos fizeram o resto. Em 1915, o genocídio do povo arménio deixou-nos essa palavra – a expressão «genocídio» foi cunhada para descrever estes massacres – e imagens devastadoras. Imagens de mães em fuga, carregando os filhos às costas. De todas, a mais poderosa é aquela em que uma mãe chora a morte da sua menina.
 




 
Não admira, por conseguinte, que em Erevan exista uma escultura monumental intitulada «Mãe da Arménia». Aliás, existem esculturas com esse nome em vários pontos do país. Mas se a glorificação da maternidade – e da coragem guerreira das mulheres da Arménia – é um traço multissecular daquele país, a escolha da «Mãe da Arménia» deve-se, muito possivelmente, ao amplexo tão maternal quanto sufocante de uma outra mãe, esta severíssima. A Mãe Rússia. Não é por acaso que nas antigas repúblicas da URSS – em Kiev, na Ucrânia, ou em Tlibissi, na Geórgia – existem igualmente estátuas colossais de mulheres de armas, jovens esbeltas mas de ar belicoso, pouco ou nada maternal (ver a estátua de Kiev aqui no Malomil, e a da Geórgia aqui).  


Mãe da Geórgia (1958)
 
A Mãe da Arménia data de 1967. Naquele lugar havia sido inaugurada, em 29 de Novembro de 1950, uma obra diferente, a maior estátua de Estaline erigida na Europa. A autoria desse monstro devia-se a Sergey Merkurov (1881-1952), o escultor predilecto de Estaline. Nascido justamente na Arménia, Merkurov foi Artista do Povo da URSS, membro da Academia Soviética das Artes e director de um dos mais belos museus de Moscovo, o Pushkin. A ele se devem largas dezenas de máscaras mortuárias (no Museu Merkurov existe a única máscara mortuária autêntica de Lenine, além dos rostos derradeiros de Tolstoi, Gorky, Mayakowski). Do seu cinzel saíram as três maiores estátuas de Estaline que existiam na defunta União Soviética. Era primo do místico Gurdjieff e praticou actos notáveis, como ter salvo da ira revolucionária a estátua de Catarina, a Grande, que Merkurov discretamente empacotou para Erevan. Ao que parece, teve a tristíssima ideia de, para o 70º aniversário de Estaline, lhe oferecer uma muito dispendiosa estátua chamada, pasme-se, «Morte de um Líder». José Estaline, como é evidente, não apreciou a simpatia – recusou a oferta e o artista caiu em desgraça. Mas, por maiores que tenham sido os seus feitos escultóricos, o nome de Merkurov será sempre associado ao famoso «Abecedário Erótico» que desenhou em 1931. O blogue The Charnel-House publicou-o em abundância, pelo que, por pudor, vamos apenas deixar aqui uma das mais castas imagens. Apenas pro memoria, até porque o alfabeto obsceno já foi reproduzido entre nós, no blogue História Maximus. As figuras têm uma clara inspiração na iconografia erótica greco-romana – o que não admira, dada a formação clássica de Merkurov – e possuíam, aparentemente, um propósito iconoclasta e provocador. Mas, na verdade, o seu objectivo era conformista e servil, visando ferir a susceptibilidade ortodoxa e a influência da igreja para com isso agradar ao novo poder soviético.



Sergey Merkurov

Abecedário Erótico, de Sergey Merkurov (1931)
 

 
Ross Wolfe, escritor, tradutor e autor do blogue The Charnel-House, agradece a Agata Pyzik, ensaísta de origem polaca que, segundo ele, foi quem deu a conhecer ao mundo anglófilo o alfabeto lascivo de Merkurov. Agata Pyzik, que vive em Londres desde 2010, publicou recentissimamente um livro, com o título Poor But Sexy, Culture Clashes in Europe East and West, Ainda que centrando-se muito no caso da Polónia, sua terra natal, a tese que defende não anda longe da sustentada por André Meier em 2006 no documentário Do Communists Have Better Sex?
 
André Meier, Do Communists Have Better Sex? (2006)
 
 
Nesse documentário afirmava-se que os alemães de Leste tinham uma vida sexual muito mais activa e interessante do que os seus irmãos do lado ocidental do Muro. Mesmo que estes tivessem mais liberdade e maior poder de compra, os cidadãos da RDA beneficiavam de leis mais flexíveis em matéria de divórcio e aborto, além de uma política muito mais efectiva de controlo de natalidade. Sem pôr em causa a conclusão geral sobre a abundância e variedade do sexo na Alemanha de Leste, importa ter presente o seguinte: as alemãs e os alemães, quando jovens, parecia estar dispostos a optar pela monogamia, pelo menos jurídico-formal. Casavam muito mais cedo, em média, do que os cidadãos da Alemanha ocidental. Porquê? Entre outras coisas, para conseguirem subir na lista de espera dos apartamentos distribuídos pelo Estado. Ao fim de três anos, em cada três mulheres da RDA duas estavam divorciadas. E com filhos a cargo. Não admira que 90% das crianças da RDA tenham sido, desde tenra idade, educadas em Kindergarten. A dada altura, dada a escassez de géneros, só vendiam fraldas a quem tivesse um documento comprovativo de maternidade: em resposta, as alemãs de Leste, apresentavam os seus bebés nas caixas dos supermercados. Um país curioso, desparecido há 25 anos, que, com a cumplicidade da indústria farmacêutica do Ocidente, permitiu que 14.000 dos seus cidadãos tenham sido usados como cobaias humanas no uso experimental de novos fármacos ou produtos congéneres (quimioterapia, antidepressivos, anticoagulantes, até pasta dentífrica). Desconhece-se o número de vítimas, como não se encontrou um único documento em que as «cobaias» dessem o seu consentimento – o seu consentimento informado – a estas experiências farmacológicas. O negócio rendeu cerca de 16,5 milhões de marcos às autoridades da RDA. Os pacientes não receberam um cêntimo.
 

 
 
 




Voltemos à Mãe da Arménia ou, melhor dizendo, regressemos à base. A monumental escultura de Estaline, como se disse, fora desenhada por Merkurov, autor do não menos escandaloso abecedário erótico. A base era do arquitecto Rafayel Israyelian (1908-1973), que expressamente afirmou que concebera o pedestal como uma basílica arménia, com três naves. Diz-se que a construção tem claras semelhanças com a Igreja de Santa Ripsima, construída no século VII. Não deixa de ser irónico que, na base de uma estátua a Estaline, desenhada por um escultor que fizera um abecedário pornográfico com fitos anticlericais, esteja um edifício inspirado numa igreja do século VII.  





 
Já Estaline durou menos tempo. Praticamente a seguir à sua morte, várias estátuas em sua homenagem desapareceram da paisagem do Leste da Europa. Assim aconteceu, por exemplo, na Karl Marx Allee, em Berlim, hoje só restando no Café Sybille um pedaço do bigode e uma orelha da estátua do Pai dos Povos, que já mostrámos aqui. Também na capital da Arménia se fez desaparecer Estaline. Na Primavera de 1962, a estátua foi removida, o que exigiu um aturado trabalho de desconstrução, que matou um soldado e fez vários feridos.




A Estátua de Estaline, em Erevan


Substituíram Estaline pela Mãe da Arménia, agora uma estátua de Ara Harutyunyan. Com uma altura de 22 metros, feita de cobre, forma com o pedestal em basalto um conjunto de 51 metros de altitude. A basílica original mantém-se, sendo hoje um museu militar dedicado à 2ª Guerra e, em especial, aos mortos da Guerra de Nagorno-Karabakh, o conflito entre a Arménia e o Azerbaijão que terminou com um cessar-fogo em 1994 mas que, em substância, permanece por resolver. Entretanto, em Erevan, a belicosa Mãe da Arménia tornou-se um ícone, infinitamente reproduzido, quase sempre num registo kitsch pavoroso.
















 
Num território martirizado por séculos de conflitos, as mulheres ora pegavam em armas, ora ficavam em casa, cuidando dos filhos, esperando que os homens regressassem da frente. Entre as que se destacaram em combate, Sose Mayrig (1868-1952). Há quem diga que Mãe da Arménia se inspira nela, ou noutras como ela. Sose Mayrig lutou contra os turcos, de armas na mão, juntamente com o marido e os filhos do casal. Animou as tropas, era admirada pela sua bravura. Não abandonou os combates mesmo depois de ter sido ferida, de ter perdido o marido e todos os filhos.
Nos anos vinte, cansada de guerra, estabeleceu-se em Alexandria, no Egipto, onde morreria em 1952. Mas ainda hoje existem na Arménia muitas mulheres como ela. Eis uma imagem desconcertante: na aldeia de Degh, na fronteira com o Azerbaijão, uma senhora com a bonita idade de 106 anos não baixa os braços. De metralhadora A-47 em punho, defende a sua casa, agora e sempre. Com os azeris por perto, há que estar alerta.


 
Mães da Arménia foram, e são, também as mulheres e mães dos mortos em combate. A expressão «mãe da Arménia» vulgarizou-se na linguagem corrente e na iconografia do país. Existem estátuas de mães-coragem em vários lugares. Em Gyumri, uma mãe-escultura datada de 1975. Outra, mais erótica e dinâmica, em Ijevan. Em Abril deste ano, foi inaugurado no Memorial do Genocídio do Povo Arménio, em Erevan, uma escultura de Serouj Ourishian que figura uma mulher fugindo dos massacres, protegendo uma criança.
 

Estátua de Gyumri


Estátua de Ijevan
 
Estátua de Erevan,
Memorial do Genocídio do Povo Arménio
 

 
 
 
 
Uma das mais conhecidas e emblemáticas imagens de mães arménias é da autoria de Chanik Aramian, e data de 1861, chamando-se «Arménia de Luto» ou «Ruínas da Arménia», tendo sido reproduzida em bordados, tapeçarias. A partir da década de 1870, tornou-se um símbolo patriótico da nação arménia. É espantosa a semelhança existente entre essa gravura e a fotografia estereoscópica tirada por Onnes Kurkdjian circa 1877-1880, mostrando uma mulher entre ruínas, que pode ser vista aqui.

 





Recentemente, e tirando partido da popularidade do termo «mãe da Arménia», foi desenvolvido um projecto artístico, mas também de intervenção cívica e política, intitulado mOther Armenia (ou aqui). Dez fotógrafas arménias apresentaram o seu país segundo um ponto de vista feminino. Imagens de pessoas que vivem nas margens da sociedade (uma série é dedicada aos transsexuais), outras das viúvas ou das mães de soldados mortos. Interiores vazios, com fotos e recordações (ver o vídeo, aqui)
O trabalho mais marcante, neste contexto, é o de Sara Anjargolian, a série «An Absent Presence». Sara fotografou os familiares dos soldados mortos em circunstâncias acidentais, nunca esclarecidas. Não eram militares em combate. Estas «Mães da Praça de Maio» (e desculpem o lugar-comum, óbvio em demasia) reúnem-se na Praça da República, em Erevan, em frente aos edifícios ministeriais. Exigem saber em que condições morreram os seus filhos. Numa das imagens, Nana Muradyan observa as fotografias da autópsia do seu filho. Valery apareceu morto em 2010, numa base militar. As forças armadas sustentaram que se tratou de um suicídio, mas a família acredita que Valery foi assassinado para encobrir outro crime, possivelmente o furto de combustível. Nana afirma que, dias antes de morrer, Valery lhe dissera que tinha recebido um telefonema anónimo, dizendo-lhe para manter o silêncio quanto ao roubo de gasolina que testemunhara. Ofereceram-lhe uma quantia pelo seu silêncio: 3000 dram, a moeda local. O equivalente a sete dólares. Dias depois, apareceria enforcado na base militar onde servia.   


Nara Muradyan, observando as fotografias da autópsia do filho
Fotografia de Sara Anjargolian
 
 
 As forças armadas são uma das instituições mais reservadas e fechadas da Arménia. Nos últimos anos, têm-se acumulado queixas de maus-tratos e homicídios nos quartéis. Às dezenas, jovens aparecem mortos, dizendo-se que pereceram por acidente ou que se suicidaram. As mães da Arménia temem que os seus filhos cumpram o serviço militar obrigatório. A guerra terminou oficialmente em 1994, mas os mortos continuam. E, com eles, as mães da Arménia.
 










Fotografias de Sara Anjargolian
 
 
 
 
No fim, enfim, Tigran Hamasyan, compositor e pianista de jazz arménio, tocando uma música inspirada no folclore do seu país. Título: Mãe, onde estás?

 
 

 
  António Araújo
 
 
 

quarta-feira, 29 de Outubro de 2014

Summa theologica.

 
 
Paulo Rocha, Os Verdes Anos  (1963)


Andei anos torturado a incomodar os senhores funcionários da FNAC por causa deste filme. Já devia ser conhecido pelo maluquinho dos Verdes Anos, tantas vezes perguntei se tinham, quando iam ter, se pensavam algum dia vir a ter, caso tivessem quando iria ser posto à venda, se era possível encomendar, se me conseguiam reservar ou mesmo facilitar só um, só um exemplar para revisão. Li agora que Os Verdes Anos, entre outras obras de Paulo Rocha, vai ser posto à venda pela Cinemateca Portuguesa, em colaboração com a Midas Filmes. «A partir do próximo ano», dizem no Diário de Notícias. Falar assim é coisa que não se faz. A partir do próximo ano?! Nem especificam o mês, sequer o trimestre. O próximo ano, senhores cinematecos, é muito grande. «Próximo ano» pode calhar na Primavera, no Outono, até só lá para o Natal. São 365 dias passados em Advento. Sim, Advento. Esta boa nova é prova de que Deus existe – e não precisa de ter Cartão FNAC para nos dar mostras da Sua infinita bondade. Obrigado, Senhor.
 
 
 
 



9300 Formas da Felicidade.

 
 
 

 
 
 
Pulcinoelefante é a editora de Alberto Casiraghi (Casiraghy nas letras). Nasceu em Osnago (Cantù, Como, Itália) em 1982, numa tarde ventosa. Nesse ano saiu apenas o livro inaugural, Una Lirica. Una Immagine de Marco Carnà. Em 1983 foram lançados quatro livros, três com textos do próprio Alberto Casiraghi, e o outro da autoria de Gaetano Neri. Os três ilustradores de 1983 foram de novo Marco Carnà, Pierluigi Puliti e Gianni Maura. Em 1984 foram lançados sete Pulcini, nove em 1985. Enfim, os primeiros dez anos viram nascer 236 Pulcini.
 
Logo em Janeiro de 1992 surgiu o primeiro Pulcino de Alda Merini, o n.º 237. O texto é dela, Il Poeta, os desenhos originais são de Marco Carnà. A amizade e consequente colaboração com Alda Merini conduziram a um aumento alucinante no número de livros produzidos: 4377 até Dezembro de 2001, cerca de 3900 até Dezembro de 2012, mais de 300 em 2013, cerca de 160 neste ano de 2014.
 
Alberto Casiraghi apresenta-se como um padeiro de livros, o único padeiro que trabalha durante o dia, e de facto, desde 1992, em média, tem feito mais de um livro em cada 24 horas...
 
Os livros de Alberto são quatro ou seis folhas de papel Hahnemühle tamanho A4 dobradas em A5. Contêm um aforismo ou um pequeno poema impresso em caracteres móveis, e uma ilustração: uma impressão digital dos desenhos de Alberto, uma xilografia de Adriano Porazzi, águas-fortes, litografias, fotografias, colagens, desenhos e pinturas com todas as técnicas, ready-mades, esculturas, as intervenções mais variadas. As tiragens vão de 15 exemplares a 30 ou 35. Os livros são numerados sequencialmente.
 
Os autores dos textos são perfeitos desconhecidos (como eu) e grandes poetas como Alda Merini ou o próprio Alberto, este em nome próprio ou usando os seus variados pseudónimos. De entre os mortos, ou os vivos inacessíveis, Alberto e os outros intervenientes nos livros escolhem citações, ou dedicam-lhes aforismos e outras homenagens.
 
Não saindo da minha colecção, encontro Santo Agostinho, Dante, Casanova, Leonardo da Vinci, Proust, Thomas de Quincey, Barak Obama. E Adonis, Patrizia Cavalli, Franco Manzoni, Jack Hirschman, Arturo Schwartz, Allen Ginsberg, Franco Loi, Vito Riviello.
 
Os ilustradores são igualmente famosos (Ugo Nespolo, Claudio Parmiggiani, Maurizio Cattelan) ou perfeitos desconhecidos. Figura tutelar é Adriano Porazzi, gravador de xilogravuras, criador dos seus motivos ou transliterador dos motivos de outros, incluindo os desenhos de Alda Merini e de Alberto. Há amigos constantes: Adalberto Borioli, Alberto Rebori, Carlo Oberti, Enzo Eric Toccacelli, Gaetano Orazio, Pietro Piedeferri, Luciano Ragozzino. Pierluigi Puliti acompanha Alberto desde o Pulcino n.º 3, Luigi Mariani desde 1991 (n.º 183), Roberto Bernasconi desde 1994 (n.º 721).
 
Portugal é uma presença antiga nas Edições Pulcinoelefante, com Fernando Pessoa (n.º 414, Abril de 1993, com um monotipo de Alberto; e n.º 1142, de Outubro de 1995, com um desenho de Salvatore Carbone). Em Março de 2013 essa presença foi reforçada: Alberto Casiraghy havia decidido publicar Manuel Alegre (A Sombra, n.º 8840) e publicou ainda o poema de Hélia Correia e Jaime Rocha Para Manuel Alegre (n.º 8848), uma homenagem a Fernando Pessoa (Roberta Rocca, Diario: Omaggio a Fernando Pessoa, n.º 8845), e um aforismo meu ilustrado pela Isabel Baraona (A vida, o Mundo, n.º 8841).
 
No mesmo mês de Março de 2013 em que estes livros foram publicados, o Alberto veio a Portugal. Fez um workshop no Homem do Saco, explicando como deveriam ser feitos bons Pulcini. Dessa colaboração resultaram os Pulcini portugueses, os n.ºs 8855 a 8858.
 
E do encontro feliz do Alberto com Vasco Graça Moura nasceram mais quatro Pulcini, os n.ºs 8864, 8865, 8869 e 8877, feitos ainda em Março, e em Abril de 2013.
 
Para a exposição na Biblioteca Nacional, patente até 31 de Janeiro, o Alberto fez expressamente três livros, com aforismos de Vasco Graça Moura, Paulo Teixeira Pinto e Rui Moreira. O livro de Paulo Teixeira Pinto, Mascella, é o n.º 9283. Como foi terminado no Domingo dia 19 de Outubro, ter-se-lhe-ão seguido uns 10. Por isso o título da exposição já deveria ter sido actualizado para 9300 formas da felicidade. E até encerrar, em Janeiro de 2015, poderão ser já 9500...
 
 
 
 
 
 
 
Os livros expostos integram a minha colecção. Com esta escolha, procuro revelar a variedade, a riqueza, a alegria quase sempre, que estes livrozinhos (os libricini do Alberto) encerram e desvendam. Há um núcleo de livros de Alda Merini, outro de Pulcini escritos e ilustrados apenas pelo Alberto. Mas há sobretudo a poesia e a beleza intrínsecas a umas quantas palavras, a uns traços no papel, palavras ou traços de que apenas conheço esta materialização, sendo apenas devido a ela que estão aqui.
 
Alberto Casiraghi é um artista: é poeta, pintor, músico e construtor de violinos, impressor. O seu amor ao próximo e à vida está traduzido nos milhares de livrozinhos Pulcinoelefante que fez e ajudou a fazer e espalhou pelo mundo. E estes, fiéis ao seu criador, fizeram e fazem amigos.
 
 
Catarina Figueiredo Cardoso
 
 
 





 

terça-feira, 28 de Outubro de 2014