segunda-feira, 25 de maio de 2015

O futebol depois de Gerrard e Xavi.


 
 
Esta crónica é dedicada aos meus alunos Gonçalo Silva Pereira e Tiago Branco Coelho, embaixadores do futebol português em Paris e Bruxelas.
 
 
Fonte: http://as.com/diarioas/2015/05/16/english/1431808884_798688.html
 
 
Nas últimas três semanas tanta coisa aconteceu no futebol.
 
Na Liga dos Campeões o Barcelona bateu de forma categórica o Bayern de Munique de Pep Guardiola. A chave da vitória foi o jogo em casa que os catalães venceram por três bolas a zero tendo o segundo golo sido de … outro planeta. Messi fez o golo perfeito que deixou Boateng e Neuer completamente desesperados. Na outra meia-final a Juventus bateu o favorito Real Madrid e está em Berlim. No início desta época quase ninguém diria que uma equipa italiana chegaria à final da Liga dos Campeões a começar pela própria Federação que tinha marcado a final da Taça para dia 7 de Junho… Mas em matéria de surpresas o que dizer da vitória do Dnipro sobre o Nápoles? A equipa ucraniana foi mais forte que as estrelas napolitanas e está na final da Liga Europa em Varsóvia. Será que o Dnipro vai igualar o feito do Shaktar Donetsk em 2009?
 
E nas competições nacionais? O Barcelona foi vencer ao Vicente Calderón e sagrou-se campeão e a Juventus venceu a Lazio na final da Taça de Itália. O golo marcado no prolongamento por Alessandro Matri deu aos bianconeri uma grande alegria. Tivemos ainda uma despedida emocionante dos adeptos do Borussia de Dortmund a Jürgen Klopp. Sobre todos estes jogos há tanto para contar e debater mas gostaria de destacar dois momentos marcantes: as despedidas de Steven Gerrard do Liverpool e de Xavier Hernández do Barcelona.
 
 

Gerrard e Xavi vão sair dos clubes onde jogaram toda a vida. O inglês vai rumar a Los Angeles e o espanhol irá para o Qatar. São dois excelentes exemplos de «jogadores-bandeira» que também personificam o ethos de um clube. E essa identificação torna ainda mais difícil a decisão de sair de uma equipa que é a sua casa. Para estes jogadores só há um clube, com ou sem títulos. Foram ambos líderes e capitães das suas equipas. E tendo em conta a qualidade de ambos as ofertas aliciantes não faltaram.
 
No caso de Gerrard essas ofertas vieram de clubes que lhe ofereciam melhores hipóteses de conquista de títulos. E mesmo assim ele não aceitou.  O melhor exemplo será o de José Mourinho que o tentou aliciar para o Chelsea e para o Real Madrid: «Nunca o pressionei para sair do Liverpool. Sempre respeitei o sentimento dele, penso que amanhã (sábado) vai sentir que a decisão de ficar todos estes anos no Liverpool valeu a pena, porque vai ser uma lenda». E a palavra é mesmo esta: lenda.
 
E foi isso que vimos na sua despedida de Anfield Road. Gerrard, sempre acompanhado pelas filhas, foi homenageado pelos seus colegas e por todos. Nas bancadas estavam outras lendas do clube como Kenny Dalglish. Seguindo o conselho de outro grande jogador dos Reds, Jamie Carragher, Steve Gerrard conseguiu conter as lágrimas embora fosse óbvio para todos que foi muito, muito difícil. Mas houve muitas lágrimas em Liverpool e os adeptos choraram a saída do seu capitão. Ao longo de dezassete épocas há muitas memórias mas, sem dúvida, que a final da Liga dos campeões em Istambul, em 2005, é uma das melhores. O Liverpool estava a perder por 3 bolas a zero ao intervalo com o Milan de Ancelotti e … acabou por vencer. Há também mágoas. Apesar de todos os troféus o número 8 dos Reds nunca conseguiu vencer a Liga Inglesa.
 
 
Fonte: http://www.liverpoolecho.co.uk/sport/carragher-exclusive-istanbul-highlight-career-9310015
 
 
Os elogios a Steve Gerrard foram muitos mas destacaria o de Francesco Totti. Se há jogador que sabe o que é a lealdade máxima é este jogador da Roma. Totti disse que o número 8 foi um dos jogadores mais completos que ele conheceu e que teria gostado muito de jogar ao seu lado. Gerrard merece o seu respeito por tudo o fez e pela forma como sempre defendeu o seu clube. Não é todos os dias que se ouvem elogios destes.

 
Fonte: http://yucatan.com.mx/deportes/futbol-internacional/el-camp-nou-homenajea-a-xavi-en-su-ultimo-partido-liguero
 
 
Em Camp Nou Xavi não foi capaz de conter as lágrimas. A moldura humana foi absolutamente comovente. A verdadeira festa não era a do título mas sim a de Xavi. O que dizer deste jogador que marcou uma geração no Barcelona e na selecção espanhola? Ao contrário de Gerrard o palmarés do capitão culé é impressionante. Dos muitos títulos podemos destacar 8 ligas espanholas, 3 ligas dos campeões (talvez quatro?), 2 campeonatos europeus e o Mundial em 2010. O que é que faltou? Mourinho disse-o de forma clara: «Xavi merecia ter ganho uma Bola de Ouro».
 
Na homenagem em Camp Nou Andrés Iniesta, seu companheiro de tantos jogos, agradeceu-lhe por tudo o que lhe tinha ensinado. Para Iniesta, Xavi é uma lenda. Mas talvez o melhor elogio tenha vindo de outro jogador e treinador que também o conhece como ninguém: Pep Guardiola. Para o actual treinador do Bayern de Munique Xavi foi, pela sua alegria ao jogar, o mais «amador» e o mais profissional. E essa é melhor definição de um jogador que sempre exibiu dentro de campo uma profunda alegria.
 
 
Fonte: http://falso9blog.com/16/03/2015/xavi-hernandez-leyenda-viva-del-barca/
 
Neste último ano Xavi jogou muitas vezes como suplente. Não é fácil a um jogador que teve tudo a seus pés estar sentado no banco. No entanto, nunca lhe vimos um queixume ou uma «cena» ao contrário, por exemplo, de Neymar. Xavi nunca foi uma prima donna e a sua simplicidade dentro e fora de campo é desarmante e reconhecida por todos. Luis Enrique pediu-lhe que ficasse mais um ano mas Xavi soube que estava na altura de sair:
«Eu vou ter muitas mais saudades do Barça do que o Barça de mim. Passei 25 anos da minha vida com esta camisola. A minha vida inteira. O Barcelona está acima de qualquer pessoa».
 
Estas são palavras que um adepto percebe como ninguém.
 
Assim como a resposta de Gerrard quando lhe perguntaram porque é que não saiu do Liverpool para vencer mais títulos:
 
«It always means more when you win for your people.»
 
Raquel Vaz-Pinto
 
 
 
 

domingo, 24 de maio de 2015

Aljube.

 
 
 

 
 
 








 






 
 








 


 
 
 
 
 
 


 
                                                                                                               Fotografias de António Araújo
 



sábado, 23 de maio de 2015

Porque hoje é sábado.

 
 
 
Fotografia de Tânia Cunha


Cidade do Vaticano, 2004.

 
 


 

         «João Paulo II já falava muito baixinho e tive de me aproximar dele para lhe poder transmitir o que queria.»
 

         (Pedro Santana Lopes, Correio da Manhã, suplemento Domingo, de 10/5/2015)

 

Cidade do Vaticano, 2004.

 
 
 

 
         «Abriram-se duas portas e entrei na enorme sala de audiências, onde João Paulo II estava sentado. Saudei-o como é devido e estive cerca de 15 minutos, enquanto presidente da UCCLA (União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa), absolutamente sozinho com ele.»
 
         (Pedro Santana Lopes, Correio da Manhã, suplemento Domingo, de 10/5/2015)